sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Agora português, Petrix Barbosa celebra naturalização: "Apenas corri atrás do meu sonho"

(Foto: Arquivo pessoal)


O Mundial de Doha, a partir do dia 25 de outubro, vai promover todo tipo de emoção a Petrix Barbosa. Depois de concluir nas últimas semanas o processo de naturalização, o paulista de 26 anos vai competir pela primeira vez como atleta de Portugal. Vai ser também seu retorno ao evento mais importante do calendário anual da ginástica artística após quatro edições ausente. E o sorteio o colocou para se apresentar justamente ao lado da equipe do Brasil, mas o novo bigode, promessa para conseguir a naturalização, mostra que o ginasta quer se sentir cada vez mais português.

- Vai ser um pouco estranho para mim, porque eu sou brasileiro, e tenho o maior carinho e respeito pelas oportunidades que tive para competir pelo meus país de origem. Mas foi Portugal que me abraçou agora e me fez uma proposta de vida. Apenas corri atrás do meu sonho. Agora vou poder treinar tranquilo para realizar o meu sonho de ser medalhista mundial e olímpico - disse o agora português.

Campeão pan-americano com a equipe brasileira em 2011, Petrix vestiu o collant verde-amarelo no Mundial de Tóquio em 2011 e quase ajudou o país a se classificar como equipe para Londres 2012. Só que lesões e a falta de um clube após o fim do projeto do Flamengo atrapalharam o ginasta no ciclo olímpico da Rio 2016. O Brasil conseguiu a inédita classificação por equipes, mas Petrix não foi convocado para disputar a Olimpíada.

O ginasta chegou a defender o Vasco em 2016 e levou um bronze na barra fixa do Brasileiro, mas o projeto não foi renovado. Petrix então encontrou abrigo em Miami, com o americano Yin Alvarez, que tem medalhas olímpicas no currículo como técnico. Mas a falta de um clube no Brasil impediu que ele tivesse chances na equipe verde-amarela rumo a Tóquio 2020. Foi quando Portugal lhe abriu os braços.

- O meu caso foi de interesse público. A Federação de Ginástica e o Comitê Olímpico Português fizeram uma reunião e me disseram que fariam de tudo para conseguir a naturalização. Aí encaminharam o pedido ao Tribunal de Justiça.

(Foto: Reprodução/Instagram)

O processo foi então aplicado em março a partir da ideia do técnico José Dias, do Lisboa Ginásio Clube. Graças ao esforço dos dirigentes portugueses, a naturalização saiu há três semanas e, ao contrário do que aconteceria no Brasil, o ginasta vai poder continuar sob o comando de Yin Alvarez. Por ser experiente, Petrix é chave para o projeto da Federação Portuguesa, que quer investir no grupo de olho em Paris 2024. O luso-brasileiro e o técnico americano vão poder passar seus conhecimentos aos jovens portugueses e quem sabe levar o país de volta à ginástica artística masculina em uma Olimpíada depois da ausência na Rio 2016.

- Sei que muita gente ficou surpresa mas foi algo muito bem pensado, com calma. Quero ir cavalgando até Tóquio 2020 para chegar lá disputando medalha na barra fixa e nas paralelas. Considero esse Mundial de Doha a competição mais importante da minha vida. Não é a que eu mais me preparei, não é a que estou melhor, mas toda competição para mim agora vai ser muito importante até chegar a Tóquio.

Petrix só começou a focar seus treinamentos para o Mundial de Doha há pouco mais de um mês, quando conseguiu a naturalização. Ele ainda teve de ter uma liberação junto à Federação Internacional de Ginástica (FIG) para concretizar a transferência de nacionalidade dentro do esporte. Apesar do pouco tempo de preparação, o luso-brasileiro acredita que pode chegar à final do individual geral e especialmente da barra fixa em Doha. Ele prepara uma série mais segura de nota de partida 6,4 e uma mais forte de 6,6 caso avance à decisão. Dos ginastas pré-inscritos para o Mundial, apenas o holandês Epke Zonderland, campeão olímpico em 2012, já apresentou série de maior dificuldade neste ano (6,7).

- Meu plano para este Mundial é buscar uma final do individual geral e na barra fixa. Entrando na final da barra fixa, tudo pode acontecer. Não vejo por que não sonhar com uma medalha uma vez que consegui meu objetivo inicial. Em critério de nota de partida estou em um nível bom para disputar uma medalha em Mundial. O que vai diferenciar é a execução, o quanto consigo fazer a série ficar limpa e segura até a competição.

Globo Esporte