| (Foto: Jesús Álvarez Orihuela/AS) |
A Uefa anunciou nesta sexta-feira a punição de seis jogos ao atacante argentino Prestianni, do Benfica, após o episódio com Vinícius Júnior em partida contra o Real Madrid na Champions League, em fevereiro deste ano. A suspensão foi por "conduta discriminatória".
A decisão, no entanto, tem uma ressalva. Três dessas seis partidas estão sujeitas a um período probatório de dois anos. Ou seja, Prestianni terá que cumprir três jogos, desde que não volte a cometer a infração durante esse período.
Além disso, a Uefa ainda esclareceu que a sanção total inclui a suspensão provisória que o jogador já cumpriu no jogo de volta entre Real e Benfica, pelos playoffs da Liga dos Campeões, no Santiago Bernabéu, em fevereiro. Resumindo, para efeito prático, faltam dois jogos a serem cumpridos, caso o argentino não cometa a infração novamente.
O Benfica divulgou uma nota sobre a punição. No comunicado, o clube português diz que a pena deverá ser cumprida em torneios europeus, organizados pela Uefa, ou em competições Fifa, o que englobaria a Copa do Mundo.
"O Sport Lisboa e Benfica informa que foi notificado pela UEFA da sanção aplicada ao jogador Prestianni devido a utilização de linguagem homofóbica durante o jogo Benfica-Real Madrid. O jogador Prestianni foi castigado com 6 jogos de suspensão, dos quais 3 de pena suspensa durante 2 anos. Dos 3 jogos de suspensão efetiva, 1 deles já foi cumprido e os 2 restantes terão de ser cumpridos em jogos da UEFA ou da seleção argentina em contexto FIFA".
A denúncia de racismo
O episódio ocorreu logo depois de Vini Jr. marcar um golaço e abrir o placar para o time espanhol no segundo tempo do jogo entre Benfica e Real Madrid, no Estádio da Luz, em Lisboa, em fevereiro.
A comemoração de Vinicius após o gol, diante da bandeirinha de escanteio e perto de uma torcida organizada do Benfica, gerou reclamações dos jogadores do time português e iniciou uma confusão no gramado. Vini, inclusive, foi punido com um cartão amarelo por parte do árbitro francês François Letexier.
Após os ânimos se acalmarem, e o jogo ser encaminhado para ser reiniciado, Vini Jr. se indignou com palavras ditas por Prestianni e fez uma denúncia de racismo para o juiz. Mais uma vez, uma confusão generalizada se formou. Mbappé também acusou o jogador do Benfica de ter proferido ofensas racistas.
O árbitro imediatamente acionou o protocolo antirracismo previsto pela Uefa e paralisou a partida. O jogo ficou parado por cerca de 10 minutos, enquanto Vini foi amparado por companheiros como Mbappé e Tchouaméni. O técnico do Benfica, José Mourinho, foi um dos que conversou com o brasileiro. Membros das duas comissões técnicas discutiram muito em meio à confusão.
A torcida do Benfica, então, passou a xingar em coro o astro brasileiro - que também teve objetos arremessados em sua direção. A partida foi retomada normalmente, e Vini passou a ser vaiado a cada toque na bola. Mbappé foi outro que passou a ser muito vaiado.
Depois da partida, Vini Jr. se manifestou através das redes sociais, condenando ter sido vítima de preconceito mais uma vez. Mbappé chegou a dizer que ouviu Prestianni chamar Vinicius de macaco por cinco vezes. O argentino negou ter sido racista, e, segundo Tchouaméni, ele disse que chamou Vini de "maricón", e não de "mono".
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