sábado, 23 de abril de 2016

A uma semana de prazo final, Fórmula 1 ainda questiona revolução nas regras

(Foto: Mark Thompson/Getty Images)


Dirigentes e engenheiros da Fórmula 1 têm até 30 de abril para chegar a um acordo sobre como serão os carros a partir da próxima temporada. Mas, mesmo a poucos dias do prazo final, há muitas ideias diferentes sobre que deveria ser feito e poucas certezas.

Nos últimos dias, houve alguns sinais positivos, como a confirmação de que a Pirelli poderá testar com carros atuais para desenvolver os novos pneus, que serão mais duráveis e largos, aumentando a aderência mecânica. Também ficou acertado que o limite de combustível, que hoje é de 100kg por GP, será aumentado.

Estes dois fatores atendem aos pedidos dos pilotos, que querem carros com que possam forçar a corrida toda, sem economizar pneus e combustível.

As características do novo carro, contudo, ainda geram polêmica. Há o temor de que, em meio à tentativa de aumentar a velocidade - a ideia é que os carros sejam 4s mais rápidos que os atuais - e de adotar um visual mais agressivo, as ultrapassagens fiquem mais difíceis.

"Não quero que essa velocidade a mais venha por meio de pressão aerodinâmica, pois assim será impossível seguir outro carro de perto", afirmou Daniel Ricciardo. "A classificação seria divertida, mas os domingos seriam muito chatos."

Um dos engenheiros encarregados de estudar as propostas, Pat Symonds, da Williams, reconhece que os novos carros "devem ter um pouco mais de pressão aerodinâmica e não acho que isso vai ajudar as corridas."

O medo de afetar negativamente a disputa faz até com que o chefe da Mercedes, Toto Wolff, questione se as mudanças são mesmo necessárias. "Deveríamos deixar isso de lado. E talvez esteja dependo contra nós mesmos porque claramente não temos a vantagem que tínhamos ano passado, mas as corridas têm sido ótimas e serão ainda melhores se não mexer nas regras", defendeu. "Quanto mais tempo um regulamento permanecer igual, maior a tendência de convergência de performance."

O austríaco, contudo, foi rebatido pelo consultor da Red Bull, Helmut Marko. "Só Toto Wolff tem esse medo paranoico de que a Mercedes vai perder sua superioridade se mudarmos mesmo as menores coisas no motor ou no carro. Wolff está fazendo tudo o que pode para prevenir qualquer modificação. Para nós, está claro que as regras de 2017 vão mudar", disse.

A Comissão de F-1 vai se reunir na próxima terça-feira para debater essas questões e tentar chegar a um acordo sobre as novas regras. Desde o final de 2013, a categoria não passa por uma extensa mudança de regulamento.

Entenda o que deve mudar em 2017:
- Pneus: serão mais largos, aderentes e terão maior durabilidade
- Carros: serão mais largos, pesados e terão asas maiores
- Proteção no cockpit: algum tipo de proteção para a cabeça deve ser adotado. O halo tem prioridade, mas a Red Bull pressiona por uma solução mais estética
- Motores: as montadoras se comprometeram a estabelecer regras para garantir que nenhuma equipe fique sem fornecedor de motores, para regular os preços das unidade de potência e equalizar a performance
- Classificação: as equipes se disponibilizaram a testar novos formatos de classificação. Até a possibilidade de duas corridas por final de semana está sendo estudada.

UOL Esporte