| (Foto: Reuters/Andrew Couldridge) |
Para o técnico do Benfica, José Mourinho, foi Vinícius Júnior quem provocou as ofensas racistas que recebeu no Estádio da Luz, ao dançar na comemoração do gol do Real Madrid, quarta-feira. Pela lógica do treinador português, a lista do que os jogadores negros não podem fazer, se não quiserem ser vítimas de racismo, ganhou mais três itens: ser expulso, sofrer a falta que resulta na expulsão e perder pênalti. Quatro casos de ódio racial foram registrados apenas na rodada deste fim de semana da Premier League, sempre tendo "erros" em campo como motivação para os insultos.
Dois aconteceram neste domingo, envolvendo jogadores do Wolverhampton e do Sunderland. O nigeriano Tolu Arokodare perdeu um pênalti na derrota dos Wolves por 1 a 0 para o Crystal Palace. Um erro que, a rigor, mudaria muito pouco a situação dos time, que está isolado na última colocação do Campeonato Inglês, com dez pontos, nove a menos que o Burnley, o penúltimo. Mas foi o suficiente para despertar o ódio racial online, denunciado pelo clube logo após a partida.
"Tolu tem nosso apoio total e inabalável. Nenhum jogador deveria ser alvo de tanto ódio simplesmente por fazer seu trabalho. Estamos firmemente ao lado dele e de todos os jogadores de futebol que são obrigados a suportar esses abusos de contas anônimas que agem com aparente impunidade", diz um trecho da nota oficial dos Wolves.
O Sunderland também usou as redes sociais para repudiar os insultos racistas dirigidos ao atacante inglês Romaine Mundle na derrota por 3 a 1 para o Fulham, em casa. O Sunderland sequer luta contra o rebaixamento: está em 12º lugar, com 36 pontos.
Também em nota oficial, o Sunderland prestou solidariedade a Mundle e prometeu trabalhar em conjunto com as autoridades e as plataformas online para identificar e punir os responsáveis pelas ofensas.
"O comportamento abominável demonstrado por vários indivíduos é inaceitável e não será tolerado pelo clube sob nenhuma circunstância. Não há lugar para o racismo na nossa sociedade e estamos ao lado de Romaine, que tem todo o nosso apoio. Estes indivíduos não representam o Sunderland AFC, os nossos valores ou a nossa comunidade – e não são bem-vindos em Wearside", afirma a nota.
Os outros dois casos aconteceram no sábado, originados no mesmo lance: a expulsão do francês Wesley Fofana, zagueiro do Chelsea, por uma falta no meia tunisiano Hannibal Mejbri, do Burnley, no empate em 1 a 1 entre as duas equipes. Nas três situações, os jogadores receberam mensagens de ódio e ofensas raciais pelas redes sociais.
A perseguição a jogadores negros na Inglaterra não se restringe a jogos de clubes. Em 2021, Marcus Rashford, Bukayo Saka e Jadon Sancho sofreram uma enxurrada de ofensas raciais online após a Inglaterra perder o título da Eurocopa nos pênaltis para a Itália, em Wembley. Como de hábito, as ofensas são "punição" por erros em campo: os três perderam suas penalidades na final.
Nos meses seguintes, a Justiça britânica conseguiu identificar e punir ao menos dois homens que publicaram ofensas contra o trio da seleção: Justin Lee Price, de 19 anos, condenado a seis semanas de prisão, e Scott McCluskey, de 43 anos, que pegou 14 semanas de detenção, revertida em 18 meses de supervisão, além de 30 dias de reabilitação e toque de recolher nos finais de semana por dez meses.
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