Cobranças e fiascos aumentam pressão sobre o homem de R$ 40 mi do Santos


Leandro Damião gesticula durante partida entre Santos e Penapolense pela semifinal do Campeonato Paulista

A derrota do Santos para o Ituano na primeira partida da final do Paulistão abriu a possibilidade de se confirmar o descompasso entre o que foi investido na contratação do atacante Leandro Damião e o que ele vem produzindo em campo. Damião foi muito mal, parou o setor ofensivo de Oswaldo de Oliveira, está distante da seleção, colhe cada vez mais críticas e viu até seu treinador concordar que os protagonistas ficaram aquém do esperado.

Damião chegou ao Santos pelo investimento da Doyen Sports, que pagou pouco mais de R$ 40 milhões para tirá-lo do Internacional no início deste ano. Apesar de contar com um parceiro, o clube compensará o pagamento. O Santos usa as receitas de cotas de transmissão televisiva como garantia para reverter o valor investido. Se um dia o atacante deixar a Vila Belmiro por valor maior que o pago ao Internacional, o clube da Vila Belmiro recebe parte do lucro.

Por enquanto, o jogador que se vê está longe de valor R$ 40 milhões. Neste domingo, a confirmação. O Santos era franco favorito. O melhor time da primeira fase do Paulistão defrontando um adversário de menor expressão. A derrota por 1 a 0 exige que o Santos marque gols – pelo menos um para levar para os pênaltis ou dois para ganhar nos noventa minutos – no próximo domingo. Mais um fator para pressionar Damião durante a semana. Apesar da artilharia santista ser de Cícero, em quem além de Damião poderia se depositar mais responsabilidade por um ataque que passa em branco? O camisa 9 foi contratado para fazer o que mostrou no Inter: gols.

A pressão é grande porque Damião está jogando mal. Não é um detalhe que o afasta do gol e está muito longe do azar. Contra o Ituano, ele mostrou erros de posicionamento. Quando as bolas chegaram aos seus pés, ele não soube o que fazer. Travou as rápidas jogadas de Geuvânio e Thiago Ribeiro, sem acompanhar a velocidade dos companheiros. Na área, se atrapalhou e não conseguiu finalizar. O Santos não saiu do zero.

A torcida não o criticou em coro no Pacaembu. Houve protestos isolados, mas nada organizado. Diante da ineficácia da equipe que ainda perdeu um pênalti batido de péssima forma por Cícero, no entanto, começaram os pedidos pela entrada de Rildo, não necessariamente no lugar de Damião.

Oswaldo de Oliveira atendeu o pedido da torcida, apostou em seu jogador de R$ 40 milhões e trocou todos os seus companheiros, que jogavam melhor que ele: Gabriel por Rildo, Geuvânio por Stéfano Yuri e Thiago Ribeiro por Alan Santos. Como se a confiança depositada não bastasse como pressão, Oswaldo admitiu que seus principais jogadores jogaram mal, apresentando nível inferior ao esperado.

"Infelizmente, hoje eu tenho que admitir que nossos jogadores não reeditaram seus melhores momentos", falou o treinador, após a partida.

E o time titular do Santos, que tanto encantou na primeira fase, pode mudar. Após a derrota, Oswaldo admitiu que pode fazer algumas mudanças táticas. Mais um motivo de pressão para Damião, que terá de convencer Oswaldo nos treinos até domingo e a torcida na data da decisão.

"Até dá [para pensar em mudanças], porque da forma que o jogo foi jogado... é uma coisa que posso pensar melhor. Mas posso pensar em mudanças, sim", concluiu o treinador.

UOL Esporte