Exercícios no calor: cuidados para proteger a saúde respiratória

(Foto: Pixabay)


Manter a prática de atividade física é uma recomendação importante para a saúde, mas, em dias de altas temperaturas, o exercício exige atenção redobrada. O calor impõe uma sobrecarga ao organismo ao combinar aumento da temperatura corporal, maior esforço do coração e perda de líquidos pelo suor, o que pode favorecer diferentes desfechos negativos à saúde¹.

O exercício físico eleva naturalmente a temperatura interna do corpo, o esforço cardíaco e a sudorese. Quando essa prática ocorre em ambientes quentes, esses efeitos se intensificam¹. Por esse motivo, é importante entender quando é hora de limitar, modificar ou até evitar a prática de exercícios no calor, como forma de reduzir riscos e preservar o bem-estar¹.

Em primeiro lugar, o sistema respiratório é impactado pelo calor porque está em contato direto com o ambiente externo. A parte anterior da cavidade nasal funciona como uma porta de entrada para as trocas gasosas com o ambiente, sendo uma das primeiras regiões do corpo a sentir os efeitos das condições externas².

O calor intenso pode alterar proteínas estruturais das vias aéreas e desencadear inflamação e hiper-reatividade, tornando os pulmões mais sensíveis. Além disso, o sistema de termorregulação do corpo, ou seja, a capacidade do organismo de ajustar a própria temperatura, é impactado².

Isso leva ao aumento do volume respiratório e da frequência da respiração, favorecendo maior resistência das vias aéreas e episódios de broncoconstrição reflexa², quando ocorre “o estreitamento das vias aéreas nos pulmões, reduzindo o fluxo de ar, resultando em sintomas como respiração ofegante, tosse e falta de ar”, segundo a otorrinolaringologista Maura Neves, médica consultora da Libbs.

Quando as células epiteliais das vias respiratórias sofrem danos, elas liberam substâncias de alerta que ativam respostas que contribuem para o agravamento da inflamação das vias aéreas2,3. Segundo a médica, esse processo pede atenção especialmente de pessoas que convivem com doenças respiratórias, como asma ou alergias³.

Além disso, os danos causados pelo calor podem não desaparecer imediatamente após o resfriamento do corpo. Mesmo quando a temperatura volta ao normal, as lesões associadas ao estresse térmico podem continuar representando riscos. Alterações no funcionamento dos órgãos, inclusive dos pulmões, podem persistir por anos após o dano inicial⁴. “É preciso avaliar os próprios limites e as condições de tempo para evitar impactos graves na saúde respiratória”, diz Neves.

Cuidados em dias quentes para preservar a saúde respiratória

Para reduzir os riscos associados aos exercícios no calor, algumas medidas são recomendadas¹, tais como evitar a prática de exercícios nos horários de pico de calor, manter hidratação adequada, reduzir a intensidade e a duração do treino, fazer pausas mais frequentes e permitir que o organismo se adapte gradualmente às temperaturas mais altas antes de esforços mais intensos, utilizar roupas leves, que facilitem a evaporação do suor, e dar preferência a locais com sombra ou ambientes internos refrigerados.

Além disso, ao sinal de qualquer mal-estar, a especialista recomenda a interrupção das atividades e a avaliação médica: “Especialmente para quem convive com doenças respiratórias e cardiovasculares, o acompanhamento médico é essencial para uma prática de exercícios segura.”