Presidente do Atlético-MG vê Globo frágil, mas pede que TV salve futebol

Kalil vê Globo fragilizada e cobra solução da emissora para o futebol brasileiro

Kalil vê Globo fragilizada e cobra solução da emissora para o futebol brasileiro

A Globo está fragilizada, mas tem de partir dela uma solução para o futebol brasileiro. As afirmações podem parecer contraditórias, mas falam muito sobre o atual momento do esporte mais popular do país. Ambas foram ditas por Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, em entrevista exclusiva aoUOL Esporte. Em rápida conversa por telefone, interrompida abruptamente por causa do iminente início de uma reunião, o polêmico dirigente falou sobre a crescente e assustadora dívida dos clubes e como isso tem relação com a divisão de cotas de direitos de transmissão.

"O problema é o seguinte: desde que foi implodida a mesa do futebol brasileiro, a decadência entrou com força total. Ou a televisão retoma os clubes e faz todo mundo sentar na mesma mesa de novo, ou vai continuar a queda de audiência brutal porque só sabem de jogo de futebol de Corinthians e Flamengo. O futebol brasileiro foi para o saco", opinou o presidente do Atlético-MG.

As declarações fortes de Kalil são importantes para entender o atual contexto político do futebol brasileiro. Desde a implosão do Clube dos 13, em 2011, os clubes passaram a negociar individualmente os contratos de direitos de transmissão. O faturamento de todos cresceu com o novo modelo, mas a concentração de receita também.

O descontentamento da maioria com as cotas de TV ganhou corpo neste ano por causa da situação financeira conturbada vivida por muitos clubes. Com dívidas e em fase de lobby para aprovar a lei de responsabilidade fiscal do esporte (LRFE), as equipes subiram o tom sobre contratos com a Globo.

A emissora agendou para este mês uma série de reuniões para discutir o atual momento e o futuro do futebol nacional. Kalil vai conversar com a Globo na semana que vem, e a parceira de transmissão do Campeonato Brasileiro já pode começar a se preparar para um discurso verborrágico: "Se for para fazer gracinha eu levanto e vou embora. Meu amigo, a Globo tem de dar uma solução para nós".

UOL Esporte