Ganso recebe proposta, mas deve deixar SP de graça em 2017

Depois de investir R$ 16 milhões para tirar Paulo Henrique Ganso do Santos em setembro de 2012, o São Paulo deverá perder o meia de graça, sem receber qualquer compensação, em setembro de 2017. Nos últimos dias o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, fez uma proposta pelo meia que já foi recusada pelos detentores dos direitos econômicos e que não interessa ao próprio atleta. A perspectiva de Ganso, sem propostas aceitas nem aumento salarial, é sair do São Paulo ao final do contrato, segundo apurou o UOL Esporte.

Ganso não pretende renovar contrato com o São Paulo. Se não receber uma proposta profissional boa – esportiva e financeiramente – até o fim do vínculo que seja aceita pelo São Paulo, pretende deixar o clube de graça em setembro de 2017. A partir de março de 2017 ele poderá assinar pré-contrato com outro clube para sair sem custos. Por isso, a última janela europeia de transferências possível para negociar Ganso é a de janeiro de 2017.

A proposta do Al-Ittihad é de 7 milhões de euros (R$ 28,2 milhões), com pagamento em duas parcelas e foi enviada por meio de um intermediário. Detentor de 32% dos direitos econômicos, o São Paulo ficaria com R$ 9 milhões – o valor é proporcionalmente menor do que o ofertado ao clube pelo Flamengo no início de junho. "Não chegou e nem temos interesse", diz o vice-presidente de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, sobre a oferta que foi recusada também pela DIS, do Grupo Sonda, que detém 68% do atleta.

Ganso queria ter se transferido para o Orlando City, clube de Kaká nos Estados Unidos que há um mês fez uma proposta de R$ 5 milhões em dinheiro mais o perdão de uma ação judicial movida contra o São Paulo pelo descumprimento de obrigações no empréstimo de Kaká: o clube norte-americano cobra R$ 13,8 milhões entre dívida e multa – o São Paulo admite dívida corrigida de R$ 3 milhões e multa, se houver, no mesmo valor, o que totalizaria o montante em R$ 6 milhões.

Sem autorização para se transferir, Ganso se incomoda com o veto do São Paulo, que em outros momentos impediu que interesses do Monaco, da França, e do Napoli, da Itália, se transformassem em propostas financeiras. Da mesma forma, o São Paulo não procurou o meia para propor aumento salarial depois de recusar investidas que prometiam salários duas vezes maiores daqueles que o camisa 10 recebe no Morumbi – cerca de R$ 300 mil mensais, menos do que Rogério Ceni, Luis Fabiano e Alexandre Pato e no mesmo patamar de contratações da gestão Carlos Miguel Aidar, como Wesley, Alan Kardec e Michel Bastos.

Agente de Paulo Henrique Ganso desde julho de 2013, Giuseppe Dioguardi afirma que não tem conhecimento da proposta do Al-Ittihad, mas diz que pode haver negócio se o acordo for bom para São Paulo e Ganso. "Não fomos procurados oficialmente por ninguém. Se algum clube tiver interesse oficial, tem que procurar o São Paulo, que é detentor dos direitos federativos. Se for uma coisa boa para o jogador e boa para o clube, se for bom para as duas partes, tudo bem. Mas não adianta ser bom para uma das partes só", diz.

Para o São Paulo a situação se assemelha à do zagueiro Miranda, que em 2011 se transferiu para o Atlético de Madri, da Espanha, em fim de contrato. O caso foi o último que representou a saída de um jogador considerado importante sem qualquer indenização financeira ao clube. Até hoje dirigentes do São Paulo que faziam parte da diretoria lamentam a perda do zagueiro que não conseguiu chegar a acordo salarial pela renovação e, a seis meses do fim do contrato, assinou pré-contrato com o clube espanhol.

Pouco antes da proposta do Orlando City que não foi considerada, o São Paulo definiu preço de R$ 15 milhões pelos 32% dos direitos que detém de Ganso. Hoje, no entanto, o clube está refém da nova promessa feita ao técnico Juan Carlos Osorio, que na última segunda-feira teve de ser demovido da ideia de pedir demissão do clube para assumir um convite da seleção do México. Depois de ver oito atletas deixarem o clube, o treinador se mostrou decepcionado com a diferença entre o projeto que lhe foi apresentado e a real situação do clube, que sofre com o mau momento financeiro. 

Neste 2015, Ganso se mostra incomodado com algumas críticas da torcida e chegou a protestar após ser substituído por Osorio durante uma partida no Morumbi. Apesar de não ter conseguido reviver o bom futebol do segundo semestre de 2014, mantém a titularidade com o técnico colombiano – participou de 16 dos 20 jogos do clube no Brasileirão. 

UOL Esporte

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