O caos está instalado. Não adianta tapar o sol com a peneira porque a mesma está cheia de buracos. A goleada sofrida por 4 a 0 para o Sertãozinho foi a gota d’água. Pelo menos para o recente técnico Varlei de Carvalho, que em reportagem para o Globoesporte.com, detalhou os principais problemas do clube.
O presidente Breno Spinelli tenta (pelo menos eu acho) amenizar as catástrofes que o Leão trouxe após uma gestão melancólica de Nelson Lacerda. Aliás, chega de culpar o antigo gestor. Mesmo que ele ainda tenha débito com o time, não adianta culpar todas as derrapadas porque ele não foi um bom presidente. Tem que se resolver os problemas do presente e não remoer o passado.
Me desculpem os torcedores do Botafogo que visitam o blog para saber novidades do Pantera (que, nos primeiros olhares, vai muito bem com a chegada de Márcio Fernandes), mas minha crítica vai a vocês que querem o fim do Comercial. Um clássico como o Come-Fogo, que movimentava, aliás, parava a cidade, não deve "morrer" dessa forma. O treinador alvinegro disse que os próximos jogos do Bafo em casa serão determinantes para que o clube mantenha as portas abertas. Olha em que situação o Comercial chegou.
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| O famoso Estádio Tibiriçá foi palco do primeiro Come-Fogo |
Falo isso pelo que já vi e li sobre a história de Botafogo e Comercial. O jornalista Igor Ramos, há alguns anos, fez um belíssimo livro sobre o clássico. O requinte que se tinha, o brilho e as emoções registradas nos clássicos não podem se acabar por pessoas que não sabem trabalhar no futebol. O problema do Comercial hoje são consequências de questões que aconteceram com a Francana recentemente, e que fecharam as portas do União São João, de Araras, e XV de Jaú. Podia enumerar vários outros clubes, mas não é para isso que estamos aqui.
O último Come-Fogo que acompanhei foi de encher os olhos. Foi uma tarde no ano de 2012, Estádio Santa Cruz, as torcidas eram modestas, mas elas sempre foram fiéis tanto ao Pantera quanto ao Leão do Norte. A partida se mostrava tão importante (depois de 26 anos, o clássico voltava a acontecer na elite do futebol estadual), que foi transmitida em âmbito nacional pelo SporTV. O melhor de tudo: o Comercial, de virada, em pleno Santão, venceu o Botafogo por 2 a 1.
Não falo isso por amor ao Bafo ou coisa parecida. O que temos de valorizar nessa questão é a bela história dessas duas equipes, que já deram tantas alegrias aos seus torcedores e que colocaram Ribeirão Preto no mapa futebolístico nacional e internacional. No lado tricolor, o acesso a série C do Brasileiro, depois de anos de luta atrás desse feito, é mais do que merecido, é o resultado do empenho de várias diretorias, e principalmente, dessa que se iniciou com o comandante Engracia. É o Fogão em seu devido lugar.
E o que dizer do Leão, tão manso nesses últimos tempos, mas sempre lembrado no coração daquelas pessoas que guardam na memória os melhores momentos. Claro que não devemos viver do passado, mas o presente é tão sofrido como todos podem ver, que não sabemos em que lugar vamos parar. É nesse momento que a torcida, que tanto já ajudou e tanto já fez pela equipe em 2016, se juntar mais ainda e incentivar os jogadores a levantarem a cabeça e levantarem a história do Leão do Norte.
Desculpem a parcialidade, mas aqui falou mais alto um coração apaixonado pela sua cidade e pela rica história que ela possui no futebol nacional, que por tanto tempo – e espero que ainda continue mesmo pelos fatos – foi considerado o país do futebol, que hoje procura uma maneira de se reinventar, ou pelo menos, recuperar um pouco da dignidade que ficou no Mineirão após o 7 a 1.
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| Primeiro registro do escudo do Botafogo |
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| Escudo do Comercial ao longo dos anos |



