Aniversariante, Mansell foi campeão na F-1, mas é lembrado por trapalhadas

(Foto: Antonio Scorza/AFP)















Ele correu por 13 temporadas completas na Fórmula 1, nas quais chegou a um título e três vices, foi o único até hoje a ter, ao mesmo tempo, os títulos da F-1 e da F-Indy, manteve-se até o final do ano passado – quando foi superado por Lewis Hamilton - como o maior vencedor britânico da história da categoria, é o sétimo maior da história em número de poles. Que era rápido, ninguém duvida. Mas Nigel Mansell, que completa 62 anos neste oito de agosto, será sempre lembrado por suas trapalhadas.

Tendo passado por Williams em duas ocasiões, Lotus, Ferrari e brevemente pela McLaren, Mansell foi contemporâneo de grandes pilotos como Ayrton Senna, Alain Prost e Nelson Piquet, com quem travou grande rivalidade, especialmente nos campeonatos de 1986 e 87, quando eram companheiros na Williams. Mas o título só veio em 1992, no retorno ao time de Grove e a bordo de um dos carros mais dominantes da história.

Mesmo tendo colecionado uma série de lambanças ao longo da carreira, Mansell sempre foi muito reverenciado pelos ingleses, que gostavam de seu estilo agressivo e o chamam até hoje de "our Nige" ("Nosso Nige"). Os italianos também aprovaram o piloto que apelidaram de il Leone. "Considero-me um dos poucos pilotos no mundo que são top", disse certa vez o britânico. "O melhor? Não acho que ninguém pode dizer que é o melhor porque, de uma semana para a outra, você pode estar melhor ou pior."

Mansell também ficou conhecido como o dono do carro "do número cinco vermelho", algo que começou como coincidência – devido às cores dos patrocinadores da Williams nos anos 80, ficava difícil diferenciar o 5 do 6 e a solução foi usar o numeral vermelho – e se tornou marca registrada. Nada melhor, então, do que relembrar o número 5 mais famoso da história da F-1 com um top 5.

As 5 maiores trapalhadas de Nigel Mansell

5. Primeiro GP na liderança acaba no muro
Vários pilotos talentosos mostraram serviço naquele GP de Mônaco de 1984 que ficou marcado pelo encerramento prematuro e a vitória contestada de Alain Prost. Um deles foi Nigel Mansell, que liderou, em Monte Carlo e sob forte chuva, o primeiro GP da carreira na F-1. Porém, o inglês disse ter escorregado em uma faixa branca e bateu, danificando a asa traseira e abandonando.

4. Erros fazem o título de 1991 escapar
Os britânicos costumam referir-se a Mansell como um grande piloto que não costumava contar com a sorte de seu lado. Mas, em 1991, o Leão tinha um carro melhor do que a McLaren de Ayrton Senna. O Williams era menos confiável, de fato, mas o piloto também não ajudou, errando duas vezes sozinho em momentos-chave. Na primeira, liderava o GP do Brasil de 1991 quando escapou da pista e, tentando retornar, quebrou sua caixa de câmbio. Na segunda, no Japão, perdeu o carro sozinho quando estava na perseguição a Senna, que se coroaria tricampeão naquela prova.

3. Acidentes de trabalho no pódio: bater a cabeça e cortar a mão
Dois momentos clássicos de Mansell aconteceram depois da bandeirada. O primeiro foi no GP da Áustria de 1987: após grande vitória, o inglês se empolgou e ficou de pé no carro que levava os três primeiros ao pódio para acenar ao público. Só não viu que havia uma passarela adiante e bateu fortemente com a cabeça, tendo de dar entrevistas usando uma compressa de gelo. Dois anos depois, quando venceu o GP do Brasil de 1989, outro acidente: o Leão cortou a mão com o troféu, tendo de ser atendido pelos médicos. Mas não se deu por vencido e comemorou mesmo com a mão enfaixada.

2. Vitória certa jogada fora – e para o maior rival
Mansell dominou o GP do Canadá de 1991. Tanto, que começou a volta final já dando tchauzinho para a torcida. Porém, o inglês reduziu demais a velocidade e, como o sistema hidráulico utilizado pela Williams naquela época não podia ser alimentado com baixa rotação, isso apagou o sistema elétrico e, é claro, o carro. Os tchauzinhos viraram murros no volante e Nigel ainda teve de ver Nelson Piquet ultrapassá-lo e comemorar o que viria a ser a última vitória de sua carreira.

1. O dia do combo: ré nos boxes, desclassificação e batida
Nada bate aquele dia que Mansell deve querer apagar de sua memória: o GP de Portugal de 1989. Na Ferrari, Mansell liderava em uma época na qual as McLaren dominavam. Era a hora de aproveitar. Era uma época em que não havia limite de velocidade nos boxes e Mansell era conhecido por ser um dos que mais arriscavam. Naquele dia, porém, freou tarde demais e passou reto. Para consertar o erro, não teve dúvidas e engatou a marcha ré. Porém, isso não é permitido pelo regulamento e o inglês recebeu a bandeira preta que o desclassificava, mas seguiu na prova. Para piorar, bateu com Ayrton Senna quando tentava ultrapassar o brasileiro e tirou ambos do GP. Acabou sendo suspenso por uma corrida.

UOL Esporte