De programa social para o esporte de elite: trajetória do canoísta Pepê inspira nova geração de atletas

(Foto: Fernando Gallo/Divulgação)


Desde a infância, Pedro Henrique Gonçalves, 22 anos, tem uma relação de paixão com o esporte. Praticou capoeira, futebol e outras modalidades que apareciam pela frente. Quando a cidade de Piraju, no interior paulista, recebeu em 2003 o núcleo do programa Segundo Tempo, desenvolvido em parceria com o Ministério do Esporte, Pedro não teve dúvida: pediu para mãe para participar do projeto. Mais de dez anos depois das primeiras remadas, Pedro Henrique se consolidou como um dos principais nomes do Brasil na canoagem slalom e caminha para concretizar o sonho olímpico.

A cidade de Piraju é cortada pelo rio Paranapanema. A proposta do programa Segundo Tempo no município era utilizar as águas do rio como sala de aula. O núcleo oferecia escolinhas de canoagem, vela e remo. Com apenas 11 anos, o jovem  escolheu o esporte como a brincadeira preferida.

“Era um projeto muito legal. Você ganhava uniforme, mochila, lanche e, depois das aulas, tinha palestras com dentistas, médicos, bombeiro, policial e até piquenique. O projeto era a sensação na cidade. Todas as crianças queriam fazer parte das aulas”, recorda Pepê, como é conhecido o atleta.

Na ocasião, a seleção olímpica de canoagem realizava a preparação para os Jogos Olímpicos de Atenas 2004 em Piraju. Com condições parecidas com as encontradas em Atenas, o treinamento era o ideal para a equipe nacional e, de quebra, uma grande inspiração para as crianças da cidade.  

“Eu via todos atletas da seleção treinando no rio e sentia uma vontade enorme de praticar canoagem também. Na época, a cidade também recebeu alemães, poloneses, austríacos. Era um marco ver todos aqueles atletas treinando para os Jogos olímpicos de Atenas”, lembra.

Assim, despertou em Pepê o desejo de defender o Brasil em competições esportivas. No programa social o atleta praticou primeiro a vela, depois a canoagem velocidade e em 2005 encontrou a canoagem slalom. “Achei sensacional usar a água a favor, usar as corredeiras. Foi paixão à primeira vista. Tinha um grupo muito legal de atletas que treinava com a gente. Todos os dias, fazia chuva ou sol”.

“Acho que quando você é novo e recebe todas as condições para treinar, ainda mais na canoagem slalom que é um esporte caro, o jovem pode ter um futuro incrível. Com o Segundo Tempo eu conheci o esporte e com a Bolsa Atleta eu consigo me dedicar integralmente aos treinamentos e focar a minha carreira no esporte. Tudo o que eu sou tenho que agradecer ao esporte. A prática esportiva transformou e está transformando a minha vida”, ressalta.

O canoísta treinou até 2010 na cidade paulista. Saiu das águas do rio Paranapanema para disputar as primeiras competições nacionais e internacionais, quando se tornou o primeiro atleta júnior brasileiro a ganhar uma prova sênior de nível nacional.

Com o tempo, o esporte deixou de ser uma brincadeira para se transformar em algo sério. Os resultados nas corredeiras chamaram atenção dos dirigentes da confederação e o atleta recebeu um convite para trocar o interior de São Paulo por Foz do Iguaçu (PR), para treinar e se aperfeiçoar no esporte. 

“Em 2010 não tinha seleção brasileira em Foz do Iguaçu nem equipe permanente. Não tínhamos a estrutura que temos hoje. Mesmo assim, aceitei o convite na hora, pois sabia da importância de uma base boa em um canal artificial, que é o canal de Itaipu, primeiro canal artificial da América Latina. A minha família não tinha dinheiro, mas convenci a minha mãe que era importante fazer uma boa preparação na base e deixei claro que se não desse certo eu iria voltar”, revelou o canoísta.

Pedro Henrique chegou na rodoviária de Foz do Iguaçu com uma mala na mão, um barco, a cara e a coragem. “Foi o ano mais importante da minha carreira. Aprendi muito, tanto no esporte quanto na vida, pois tinha que economizar dinheiro. Tudo que eu sou hoje tem uma parcela grande por ter ido treinar em Foz do Iguaçu”, recorda

Atualmente, Pepê faz parte da equipe permanente da canoagem slalom e conta com um suporte completo na preparação para representar o país nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. “Contamos com os patrocinadores e com as bolsas. No mundo todo nenhum país conta com a estrutura de treinamento que temos aqui. Hoje contamos com três técnicos internacionais, temos uma equipe técnica muito boa. Os três estão entre os melhores do mundo. A estrutura que temos no Brasil é de dar inveja a qualquer europeu”, conta.

Ministério do Esporte

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