Secretário dos EUA diz que celebrou eliminação do Irã da Copa com "dança da felicidade"

(Foto: REUTERS/Daniel Cole)


O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, celebrou a eliminação do Irã na fase de grupos da Copa do Mundo e defendeu a forma como a seleção foi tratada durante o torneio. Segundo publicação da revista Sports Business Journal, o integrante do governo afirmou estar "muito feliz" com a saída dos iranianos do torneio e disse que chegou a cantar e fazer uma "dança da felicidade" em comemoração.

– Estou apenas feliz que eles terminaram a participação e não vão voltar (para os Estados Unidos). Fiquei muito feliz quando conseguimos cancelar os vistos deles e dizer que poderiam deixar o território dos Estados Unidos. Talvez eu tenha até cantado uma música ou duas, ou até fazendo uma dança feliz – disse Markwayne Mullin após uma reunião sobre a segurança na Copa do Mundo nesta segunda-feira (29).

Por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã, a participação da seleção asiática no Mundial foi marcada por diversas restrições. Por determinação do governo americano, a equipe precisou transferir sua base de treinamentos para Tijuana, no México, e recebeu autorização para entrar em território dos Estados Unidos apenas na véspera das partidas, sendo obrigada a deixar o país logo após os jogos.

Mesmo diante das imposições, o Irã encerrou sua campanha invicto, com três empates. A seleção terminou em terceiro lugar no Grupo G e ficou muito perto da classificação ao mata-mata, mas foi eliminada. Além de ter um gol anulado milimetricamente no fim do jogo contra o Egito, que lhe daria a vaga direta, os iranianos acabaram como o nono melhor terceiro colocado, ficando fora pelo saldo de gols.

O tratamento dado à delegação gerou críticas dos jogadores e também do técnico Amir Ghalenoei, que classificou a situação como "uma injustiça" e afirmou que sua equipe talvez tenha sido "a seleção mais agredida da história da Copa do Mundo". A entidade chegou a recorrer à Fifa para pedir ajuda em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos.

Mullin, no entanto, rechaçou as reclamações. Segundo ele, a proximidade entre Tijuana e os dois primeiros jogos da seleção, disputados em Los Angeles, além da possibilidade de a equipe entrar nos Estados Unidos e treinar na véspera de cada partida, reduziram qualquer impacto esportivo. O secretário também negou que houvesse outra motivação para exigir que a delegação deixasse o país imediatamente após os confrontos.

– Foi apenas um acordo que fizemos para deixá-los ir logo. O jogo acabava, eles voltavam para o hotel, para a base onde estavam hospedados. Eles se sentiam mais confortáveis lá. Foi simplesmente um acordo que acertamos com a Fifa antes do início da competição – explicou.

O secretário ainda voltou a afirmar que "quase metade" da delegação iraniana inscrita para a Copa do Mundo tinha ligações diretas com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Segundo Mullin, entre eles havia dois profissionais de imprensa supostamente ligados ao serviço de inteligência da corporação e um integrante da comitiva que seria alvo de mandados internacionais e não tinha autorização para entrar no Canadá. A Federação Iraniana, por sua vez, nega as acusações.

Globo Esporte