Orçamento de Rio 2016 está atrasado em relação a Londres 2012

Rio de Janeiro se prepara para receber Jogos Olímpicos. Foto: J.P.Engelbrecht/Divulgação

Rio de Janeiro se prepara para receber Jogos Olímpicos

Durante uma semana, mais de 280 representantes da organização dos Jogos de Londres 2012 estiveram no Rio de Janeiro para passar detalhes do funcionamento do maior evento esportivo do planeta para a próxima cidade-sede. É a chamada "transição olímpica". Ao término das reuniões, neste sábado, Rio 2016 deixará algumas questões sem respostas.

A principal delas é sobre o orçamento da próxima edição dos Jogos. O Rio ainda não divulgou o valor que deve gastar para organizar a Olimpíada de 2016. Por enquanto, há apenas o valor de referência da candidatura (R$ 29,2 bilhões). Mas os gastos devem ser muito maiores, como o próprio presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO) já admitiu. "Este número é, como diz o nome, apenas um valor de referência. Por lei, ele nem precisaria ser divulgado porque é um valor que vai ser bem diferente do valor final", afirma Márcio Fortes.

O ministro do esporte e turismo britânico Hugh Robertson esteve no Rio e contou que Londres já tinha seu orçamento pronto cinco anos antes da data da Olimpíada. Os 9,3 bilhões de libras (R$ 31 bilhões) também ficaram bem acima do valor informado à época da candidatura da cidade a sediar o evento (R$ 8 bilhões), mas pelo menos havia um número de acompanhamento. No final, os britânicos ainda gastaram R$ 1,5 bilhão a menos do que o orçamento final.

A explicação dos organizadores da Olimpíada do Rio para a demora em fechar o orçamento é que boa parte das obras necessárias para receber o evento, como o centro de transmissão internacional e o campo de golfe, está sendo feita pela iniciativa privada - Londres foi toda financiada com verbas do governo - e é difícil fechar um valor. Algumas outras, com dinheiro público, nem sequer tiveram suas licitações publicadas.

Pesa ainda a questão das obras de infraestrutura. Elas entram no orçamento olímpico ou não? "O orçamento não é complicado. Fato é que existem obras de infraestrutura, como a Transcarioca (corredor expresso de ônibus que vai ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto de Galeão) e a Transolímpica (ligará o Recreio dos Bandeirantes e a Barra a Deodoro) e, diferentemente de Londres, nós temos um grande evento antes que é a Copa do Mundo. Então há uma superposição de contas e elas precisam ser atribuídas para cada evento", explica Fortes.

A prefeitura do Rio, responsável pela construção do Parque Olímpico, diz que só vai divulgar orçamento quando houver projetos executivos de todas as instalações e obras de infraestrutura, o que só deve ocorrer na metade do próximo ano. "Não faz sentido dar um número agora só por dar. Vamos divulgar o valor quando ele estiver fechado", conta o prefeito Eduardo Paes.

COI preocupado

Os sete dias que integrantes do comitê organizador de Londres 2012 e do Comitê Olímpico Internacional (COI) passaram no Rio foram de trocas de elogios e manifestações de confiança. Mas há preocupações. Uma delas é com a demora em se licitar as obras da região de Deodoro, onde será construído o Parque Radical (canoagem slalom, BMX, mountain bike) e instalações já existentes deverão receber reformas para as competições de tiro, hipismo, esgrima e pentatlo moderno.

"Acho que já está na hora de licitar sim. Quanto antes estas questões forem resolvidas, melhor", declarou o diretor geral do comitê organizador local, Leonardo Gryner. A verba é federal, mas é o governo do estado que vai abrir a licitação. Por enquanto, ainda não há previsões.

Também há grande indefinição em relação a esportes menos badalados, mas que precisam ter estrutura. É o caso do rúgbi e do hóquei. No primeiro, uma novidade dos Jogos, estava previsto que o Estádio São Januário receberia a competição depois de passar por algumas reformas ou mesmo se tornar uma arena. O problema é que, endividado, o Vasco não conseguiu oferecer as garantias necessárias. Há possibilidade do campeonato de rúgbi ser disputado no Estádio do Engenhão, mas uma decisão só deve ser tomada no próximo ano.

"Temos que ter paciência com o Rio porque trata-se de um esporte cuja disputa não estava prevista quando a cidade apresentou o projeto de candidatura. Precisamos esperar. Tenho certeza que encontraremos uma solução", afirmou o diretor do COI Gilbert Felli.

A previsão era de que o hóquei ficasse em Deodoro, mas a federação internacional da modalidade não aprovou a ideia. Não há mais espaço no projeto do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, e outro local precisa ser encontrado. A organização dos Jogos vai ter reunião com a federação no próximo ano e apresentar alternativas. Se não for em Deodoro, a estrutura para o hóquei será temporária.

Os organizadores de Londres foram questionados se estas mudanças e indefinições também ocorreram durante a preparação para a última edição dos Jogos. O ministro do esporte britânico garante que sim.

"Há um número bastante significativo de coisas que mudaram com o tempo. Tivemos de alterar a superfície do hóquei e encontrar um novo local para o mountain bike, por exemplo poucos meses antes da realização da Olimpíada. Além disso, tivemos que mudar a quantidade de areia utilizada em Greenwich para as provas de hipismo porque, durante um evento-teste, os competidores reclamaram. São coisas que acontecem", garantiu Hugh Robertson.

Terra

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