Procura-se medalha de ouro olímpica. Quem encontrar falar com Paula Pequeno

Procura-se uma medalha de ouro olímpica. Ela pesa 170 gramas, tem 70 milímetros de diâmetro, 6 milímetros de espessura e um pedra jade chinesa circular da cor branca. Foi distribuída em agosto de 2008 em Pequim, na China, somente aos melhores atletas de cada modalidade nos Jogos Olímpicos.

Uma delas foi a brasiliense Paula Renata Marques Pequeno, 32, mais conhecida como Paula Pequeno, uma das melhores jogadores de vôlei que este país já produziu, e campeã com a seleção brasileira de vôlei em Pequim-2008. Ela está na história do esporte por ser um dos 14 brasileiros que voltaram da capital chinesa naquele ano ostentando um ouro no peito.

Mas o metal já não pode mais ser exibido por Paula. Aliás, ela só teve essa oportunidade por pouco mais de um ano, até o dia em que teve sua casa invadida no Butantã, na zona oeste de São Paulo, em outubro de 2009.

"Foi carta marcada, porque a casa estava em reforma, a gente estava fazendo uma área de lazer. Os caras entraram com a chave de casa, vestidos de pedreiros, às 6h30 da manhã", relatou ao UOL Esporte, em sua casa no Guará, cidade do Distrito Federal em que cresceu e aprendeu a jogar vôlei, e hoje mora com a família.

Paula não estava em casa no momento do assalto, disputava o Sul-Americano com a seleção brasileira em Porto Alegre. Só soube do roubo quando reencontrou a família em São Paulo, ao final do torneio. Segundo seu relato, os assaltantes não foram violentos, mas fizeram o marido, Alexandre Folhas, a filha Mel, então com três anos, e a babá, de reféns.

Além do ouro olímpico, foram levadas todas as medalhas da carreira da brasiliense, que estavam em um grande quadro dentro do escritório da casa da família e cerca de 30 relógios que Paula tinha como coleção.

A má notícia para os bandidos é que algumas medalhas de ouro dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 estão à venda na internet em páginas dos Estados Unidos e Europa por cerca de R$ 140. A peça não é de ouro maciço, apenas banhada. Diferentemente, por exemplo, do ouro conquistado nos Jogos de Paris-1900, aí sim, totalmente composta pelo metal e que custa algo em torno de R$ 1.000.

Hoje, aos 32 anos, Paula Pequeno é capitã do Brasília Vôlei, time que disputará a Superliga 2014-2015 com pretensões de chegar à semifinal, toca um projeto pessoal de escolinhas de vôlei em um colégio de Brasília, já tem outro ouro olímpico, conquistado em Londres-2012, e retomou a coleção de relógios. Com serenidade, ela deu detalhes da perda do objeto mais cobiçado da carreira de um atleta.

UOL Esporte