Sasaki fica em 7º no Mundial e lamenta falta de estrutura: 'foi superação'

Quem olhar para a pontuação final da prova individual geral do Mundial de Nanning, na China, de ginástica pode lamentar. O brasileiro Sérgio Sasaki, quinto colocado no individual geral do Mundial da Bélgica, no ano passado, chegou a ficar perto de subir ao pódio, mas acabou fora do grupo dos três primeiros. O sétimo lugar, porém, foi uma conquista, tamanhas as dificuldades que surgiram antes de ele poder competir.

Destaque da final por equipes, na qual o Brasil ficou em sexto lugar, o melhor resultado da história na competição, ele voltou a se apresentar bem, mesmo com todos os problemas que enfrenta desde o início do ano passado. Ao final da prova, ele lamentou os obstáculos indesejados que tem que enfrentar. 

"Foi uma superação. Foi tão difícil chegar até aqui... E ganhar de atletas com melhor estrutura. Chega a ser injusto ganhar deles, comparando com o que tenho. Mas eu não vou deixar a peteca cair. Se precisar pegar a barra com os dentes, eu vou pegar. Não vou desistir. Mas preciso de um lugar bom pra treinar", afirmou Sassaki, ao SporTV.

Em março, foi dispensado pelo Flamengo, que acabou com a equipe de elite da ginástica. Ficou sem clube, bancado apenas pelo COB e por seus patrocinadores. Não tem um ginásio para chamar de seu. Está treinando no Pinheiros, em São Paulo, obrigado a se adaptar a horários de treinos e a equipamentos não tão novos quanto os que um atleta de seu nível merecia.

Ele até teve propostas de outros clubes. Mas nenhuma delas unia a manutenção de seu técnico, Renato Araújo, com um clube bem estruturado. A opção foi esperar pelo novo centro de treinamentos da ginástica brasileira, que está sendo montando na Arena da Barra, em Jacarepaguá – deve ser entregue até o início do ano que vem. O antigo CT era no Velódromo, desativado após o início das obras da construção do Parque Olímpico.

Mesmo assim, a performance na China mostrou alto nível. No salto, em que está classificado para a final por aparelhos, teve um desempenho forte (15,200), mas não tão bom quanto a da final por equipes (15,566). Na barra, fez sua melhor apresentação do Mundial, com 15,066. Cometeu um erro no solo (14,966), que o impediu de somar sua terceira nota na casa dos 15 pontos. Fechou com a pontuação de 89,565, melhor do que os 88,949 que marcou no Mundial do ano passado (e que valeu o quinto lugar).

"A competição no individual geral é feita de detalhes. E aquele escorregão no solo pode ter tirado a minha medalha. Pode ter valido um, dois, três quatro décimos, até um ponto. E eu fiquei muito próximo dos outros atletas, poderia ter sido melhor. Perdi duas posições nesse ano [em relação ao quinto lugar do ano passado]. No ano que vem, posso perder mais uma ou duas. Mas não é o que quero. Quero uma medalha. E essa está engasgada. Quero muito. Não sei o que falta para isso. Não vou falar que não estou feliz com o sétimo lugar. Estou. Mas sou brasileiro e quero uma medalha", lamentou o ginasta. 

O outro brasileiro na disputa, Arthur Nory, ficou em 21º, com 84,174.

A medalha de ouro não teve surpresas. Kohei Uchimura, japonês que domina o individual geral desde 2011, conquistou seu quinto título mundial seguido - ele marcou , com o britânico Max Whitlock em segundo lugar (90,473) e o também japonês Yosuke Tanaka (90,449). Ele já era o ginasta com o maior número de conquistas da prova desde o ano passado, após superar a tricampeã mundial russa Svetlana Khorkina.

O Brasil vai disputar mais três finais no Mundial da China. No sábado, Arthur Zanetti disputa a decisão das argolas e Diego Hypolito faz a final do salto. No domingo, o próprio Sasaki tente uma medalha no salto. No feminino, as brasileiras pararam na classificação.

UOL Esporte