Sucesso do projeto Pato no São Paulo é responsabilidade de Muricy Ramalho

Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, cumprimenta Luis Fabiano após a vitória por 3 a 2 no clássico contra o Corinthians

 

É responsabilidade total do técnico Muricy Ramalho a missão de fazer Alexandre Pato jogar e render o esperado pelo São Paulo, a partir da estreia nesta quarta-feira, às 22h, contra o CSA, pela Copa do Brasil. O período de um mês passado desde a confirmação do negócio entre São Paulo e Corinthians serviu para que, aos poucos e cada vez mais, os dirigentes do São Paulo dissessem que o grande mentor da troca de Pato por Jadson foi Muricy. Com o pedido vem a expectativa. Diferentemente do que aconteceu no caso de Paulo Henrique Ganso, dessa vez a bomba está nas mãos do treinador.

A diretoria do São Paulo não se interessou de imediato quando soube da possibilidade de ceder Jadson para ter Pato por empréstimo. Muricy, quando consultado, foi o primeiro no Morumbi a pedir que o negócio fosse concretizado. A ordem é inversa ao que aconteceu em setembro de 2012, quando a diretoria fez investimento enorme para tirar o meia Paulo Henrique Ganso do Santos.

Na ocasião, Ney Franco era técnico do clube havia quatro meses e comandava ótima campanha de recuperação do time no Brasileirão. O técnico, no entanto, não tinha uma fração da autonomia e da entrada de Muricy com o presidente Juvenal Juvêncio. O comando do futebol também estava em outras mãos: era do ex-diretor Adalberto Baptista, que se marcou como investidor ousado no período em que serviu como braço-direito de Juvenal. Coube a Ney Franco fazer com que os R$ 24 milhões gastos em um meia se encaixassem na equipe.

Não encaixou. Ney já tinha Jadson, na época um dos melhores jogadores do São Paulo. Precisava de um ponta direita para suprir a saída de Lucas para o Paris Saint-Germain logo após conquistar a Copa Sul-Americana, mas ganhou um outro camisa 10.

O treinador seria demitido seis meses depois, mas não culpado pelo fato de não conseguir fazer Ganso jogar o esperado. Por outro lado, a própria diretoria do São Paulo admitiu, com diversas ressalvas, a necessidade de se planejar melhor e não cometer mais os erros que levaram o São Paulo à crise. Depois, Paulo Autuori e Muricy também não conseguiram fazer Ganso e Jadson jogarem juntos. Com o atual treinador, porém, o ex-santista viveu e vive os melhores momentos no Morumbi.

Em 2014, o São Paulo não precisava de Pato, como não precisava de Ganso no fim de 2012. Pato não pode ser ponta no 4-2-3-1 de Muricy, nem centroavante na vaga de Luis Fabiano. Exige a mudança na formação, como o próprio treinador admitiu logo depois de Juvenal Juvêncio e Mario Gobbi selarem a troca. A diferença é que foi Muricy quem pediu o quebra-cabeça.

Apesar da responsabilidade ser repassada a Muricy, o otimismo por Pato contagia toda a diretoria do São Paulo. As conversas com o jogador – classificado pelos dirigentes tricolores como inteligente, mas introvertido – e as excelentes exibições nos treinos animaram. Se jogar bem, ótimo investimento de risco. Se fracassar como fez no Corinthians, poderá sobrar para Muricy.

UOL Esporte