Em 1990, a então prefeita de São Paulo Luiza Erundina trouxe o GP do Brasil de volta a São Paulo (Foto: Jorge Araújo/Folhapress)
O Autódromo de Interlagos não estará aberto para nenhuma festa de comemoração por seus 75 anos completados neste 12 de maio. Fechado para uma de suas maiores reformas de sua história, o circuito deve abandonar a improvisação que marcou os últimos anos.
A obra, orçada em 160 milhões de reais, dinheiro vindo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) lançado pelo Ministério do Turismo em 2013, está em sua segunda fase. Na primeira, realizada entre julho e novembro do ano passado, a pista recebeu um novo asfalto, contou com a ampliação das entradas dos boxes e a construção de uma nova área de escape após a curva do "S" do Senna.
Nessa segunda fase, a renovação atinge a área mais crítica o circuito, nos boxes principais, além da construção dos boxes auxiliares, na região da Reta Oposta. A reforma da área técnica será geral, com aumento e modernização do paddock, nova torre de controle, nova área para a imprensa, entre outras melhorias. Tais mudanças foram acordadas na renovação do acordo do circuito para seguir realizando a etapa brasileira da Fórmula 1 até 2020.
Esta não é a primeira extensa reforma pela qual o circuito passa. No final de 1967, o autódromo foi fechado por mais de dois anos para uma grande renovação, que acabou não ficando pronta a tempo. Mesmo assim, a pista abriu as portas para uma corrida do Campeonato Internacional de Fórmula Ford, no início de 1970, vencida por Emerson Fittipaldi.
Uma nova reforma foi necessária para que Interlagos recebesse a Fórmula 1 pela primeira vez, em 1971, em um evento que não fez parte do campeonato. Foi quando a pista finalmente passou a contar com alambrados nas áreas dos boxes, zebras na pista, túnel para acesso ao interior do circuito, um edifício de quatro andares para abrigar as transmissões de rádio e televisão, e tribuna de honra. Também foram executadas obras para instalar galerias de águas pluviais, guias, sarjetas, e outras de infraestrutura.
São Paulo acabou perdendo o GP da Fórmula 1 para o Rio de Janeiro entre 1978 e 1989, até que uma nova reforma, na qual foram gastos 15 milhões de dólares, modernizou Interlagos. Foram construídos 23 novos boxes, sala de imprensa, sala para fotógrafos, torre de cronometragem e de direção de prova, além do centro médico e de instalações de apoio para as equipes e prestadores de serviço. O percurso foi encurtado, para 4.325km. É dessa época, também, o projeto de Ayrton Senna para o S que leva seu nome.
Nos últimos 15 anos, o circuito passou por uma série de reformas menores. No início de 2000, a pista foi recapeada e passou a ter 4.309 metros de extensão. Em 2002, algumas caixas de brita foram asfaltadas, como no "S" do Senna, na Curva do Lago e na do Laranjinha. Cinco anos depois, a pista foi refeita para retirar desníveis e irregularidades. Na Curva do Mergulho, uma área de escape, mais segura, foi construída, além de arquibancadas fixas de concreto na Reta dos Boxes, que aumentaram a capacidade para 25 mil torcedores, com banheiros e salas multiuso.
Em 2008 foi feito outro módulo de arquibancadas fixas para mais 10 mil espectadores, além da cobertura em definitivo da área do Paddock, a construção de um novo hospital, dentro dos padrões exigidos pela Formula 1 e a ampliação da área destinada às equipes. No ano seguinte, foram feitas reformas de infraestrutura em vários pontos de Interlagos e a alteração do muro na curva do café, para aumentar a segurança.
UOL Esporte