Contra última vítima, Brasil tem série de desafios para recuperar prestígio















"O que passou passou", "no passado a gente não mexe" e "vamos recolocar a seleção onde ela merece". Essas são as expressões mais faladas na tentativa da seleção brasileira de voltar a figurar como um dos times mais temidos após o fracasso e vexame sob o comando de Luiz Felipe Scolari na semifinal da Copa do Mundo: o famoso 7 a 1 para a Alemanha.

O adversário desta sexta-feira é conhecido: a Colômbia, o último time que o Brasil conseguiu vencer, por 2 a 1, nas quartas de final do Mundial. De lá para cá, dois jogos, 10 gols sofridos em duas partidas e a necessidade de uma reformulação não só nos nomes, mas no estilo de jogo. O reforço para o lado de lá é a entrada de Falcão Garcia, que foi desfalque no Brasil-14.

No fim, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) optou por mudar, mas nem tanto. Voltou a jogar em Miami, velho conhecido, e chamou Dunga, que já teve uma passagem como comandante, para ser o substituto de Felipão. O treinador também não ousou tanto: escalou uma equipe titular com oito que estiveram na Copa.

Mesmo assim, o comandante mostrou durante a semana de treinos nos Estados Unidos que tem consciência do tamanho do desafio. Para isso, voltou a colocar a sua seleção para treinar, diferentemente do que acontecia na Copa. Foram três dias consecutivos com duas horas de trabalhos sob o forte calor de 30ºC. Exaustivos trabalhos com a bola parada e uma mudança de esquema de jogo definitiva.

"O futebol hoje é rápido, é dinâmico, mas é o mesmo. Digo isso porque mudaremos, não vamos ficar com um atacante parado porque isso facilita o adversário. O atacante vai precisar correr, buscar espaço e dificultar a zaga adversária. Mas falo que é o mesmo porque seguiremos precisando de qualidade técnica para vencer", disse Dunga na sua coletiva de imprensa.

Um de seus atletas de frente, responsáveis pela movimentação, será Neymar. Com a faixa no braço, ele precisará transformar seus dribles e sua alegria nos treinos em realidade para toda a sua seleção.

A escolha do camisa 10 como capitão, aliás, reflete muito o entendimento de Dunga. Não é necessário, agora, um líder que xingue os companheiros para que eles acordem e joguem duro. É preciso alguém que mude o ânimo, alguém que possa ser símbolo do "Joga Bonito", expressão até cunhada por um dos patrocinadores da seleção brasileira.

Para dar força a isso, Dunga cita o próprio exemplo que viveu ao perder e ser símbolo do fracasso em 1990 até a volta por cima com a taça na mão em 1994.

"É bom termos ex-jogadores como Taffarel, Mauro Silva e Gilmar na seleção. Sempre falávamos que os outros faziam isso e acho que agora também vamos fazer assim. É bom porque eles olham para a gente e sabem da história que passamos, não fica algo como uma história distante. Nós somos a realidade".

A partir das 22h desta sexta-feira, o Brasil saberá qual é a realidade da nova equipe de Dunga. Será preciso recuperar o ânimo, a qualidade técnica, a disciplina tática, o respeito dos adversários e o apoio da torcida para voltar a figurar entre os melhores do mundo. 

UOL Esporte