Ameaça de lugar vazio na final gera disputa por Mineirão

Pronunciamento do Minas Arena para o jogo da Libertadores


 

Apesar da alta procura por ingressos, com filas durando dias, a final da Libertadores entre Atlético-MG e Olimpia tem ameaça de lugar vazio e a certeza de preços altos no Mineirão. É que a Minas Arena, administradora do estádio, sequer assegurou que botará todos os 62 mil ingressos à venda por conta de sua política de privilegiar a comercialização a longo prazo. Tudo depende do acordo que será traçado com o clube mineiro.

Mas a possibilidade de que não sejam vendidos certos assentos em uma decisão esperada há anos já gerou um embate político que pode chegar aos tribunais. Uma provável reunião entre o Galo e a Minas Arena, nesta quinta-feira, vai definir se haverá uma solução pacífica para o problema. Até a quarta-feira, os dirigentes do time mineiro estavam envolvidos na primeira partida da decisão.

A questão surgiu por causa das regras da concessão feita pelo governo de Minas Gerais para o estádio. Pelo que ficou estabelecido no contrato, quem for jogar no Mineirão tem direito à renda dos 54 mil ingressos mais baratos, mais o estacionamento. Paga ainda a maior parte das despesas.

A Minas Arenas fica com oito mil ingressos, nos melhores lugares do estádio, incluindo cadeiras superiores, Vips e camarotes. Nestes lugares, a administradora pode fazer o que quiser, estabelecer preços e até não vender os bilhetes. E a empresa prioriza a comercialização dessas entradas para toda a temporada.

Na segunda-feira, o deputado estadual do PT Rogério Correia, que é oposição ao governo mineiro do PSDB, consultou a gestora do estádio sobre a possibilidade de comprar ingresso avulso para a partida da próxima quarta-feira. Teve negado o seu pedido como mostra cópia de mensagem em seu celular abaixo.

“Pedi a confirmação dessa informação na Secretaria de Copa (do governo estadual) e pedi para o advogado preparar uma ação judicial (para exigir a venda)”, explicou Correia. “Logo depois, o secretário de Copa, Thiago Lacerda, deu uma entrevista dizendo que resolveu o problema. Mas estamos preparados”

A verdade é que o problema não está resolvido, como reconheceu a própria Secopa de Minas. Segundo o órgão, Thiago Lacerda apenas conversou com a Minas Arenas que levantou a possibilidade de comercializar os ingressos avulsos. A secretaria afirmou que não tem como impor essa medida pelas regras de concessão do estádio, já que a empresa pode fazer o que quiser com esses oito mil bilhetes.

Só que Jarbas Lacerda, advogado do deputado Corrêa e ativista contra a Minas Arenas, discorda da posição do governo. Sua argumentação é de que a empresa não pode abrir mão de receita. Isso porque, pela regra da PPP (Parceria Público Privada), a parcela que o governo de Minas tem que de pagar à administradora do estádio cai conforme aumentam as rendas do estádio, que são divididas.

“Eles não têm direito de renunciar a uma receita. A Minas Arena está acomodada porque, sem fazer nada, recebe R$ 11 milhões do governo estadual mesmo que o Mineirão fique fechado. Por isso, deixam de vender ingressos avulsos em vários jogos, o que deixa buracos nos estádios”, atacou Jarbas Lacerda.

A empresa confirmou a informação de que os camarotes e setores vips ficam fechados em algumas partidas. Mas informou que, nos jogos decisivos, como a final do Mineiro, normalmente tem negociado os bilhetes em separado. Reconheceu que ainda não há uma decisão em relação à final da Libertadores, o que deve ser discutido com o Atlético-MG.

A tendência é que, com a pressão popular, a Minas Arenas negocie bilhetes em separados para essa final. Já quantos aos camarotes não há tanta certeza. O que está assegurado é que quem comprar o ingresso de temporada vai levar vantagem.

Outra questão é em relação aos preços. A empresa pode arbitrar qualquer valor, sem limitação, para a comercialização dessas entradas avulsas. Por temporada, os assentos unitários saem por montantes entre R$ 2.430 e R$ 5.670. No caso dos camarotes, os valores variam de R$ 122.400 a R$ 306.000. Por esses preços, que teoricamente têm descontos por compras de pacotes, fica claro que a Minas Arenas não vai negociar por preços baixos seus assentos premium avulsos, uma modalidade que não lhe interessa comercialmente.

É exatamente por conta dessas condições que o Atlético-MG desistiu de jogar no Mineirão durante toda a temporada, fechando acordo com o Independência. No seu momento mais nobre, terá que se acertar com a Minas Arena, empresa de quem sempre discordou.


UOL Esporte

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