STJD vai cobrar explicações de Alexandre Kalil

A realidade do Atlético-MG, porém, ainda é complicada. O clube busca reforços para a sequência do Campeonato Brasileiro. Foto: Bruno Cantini/Gazeta Press

Kalil (à dir.) pode até ser destituído da presidência do time mineiro

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) vai cobrar explicações do presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, em relação à declaração que o dirigente deu, dizendo que "se os jogadores tomarem um cacete na madrugada não vai fazer mal nenhum".

Segundo o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, Kalil receberá um ofício para esclarecer a situação. Dependendo das explicações, o órgão decidirá se o presidente do clube mineiro vai ser julgado ou não.

"Vamos pedir a gravação da entrevista e que ele esclareça e se explique, como temos feito em alguns casos. Isto é uma coisa fora de campo, que o Ministério Público já está agindo. Mas vamos analisar o que poderemos fazer na esfera desportiva", disse Schmitt.

De acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), Kalil pode ser enquadrado no artigo 243-D (incitar publicamente o ódio ou a violência). Neste caso, "quando a manifestação for feita por meio da imprensa, rádio, televisão, Internet ou qualquer meio eletrônico, o infrator poderá sofrer, além da suspensão pelo prazo de 360 a 720 dias, pena de multa entre R$ 50 mil reais e R$ 100 mil", diz a lei.

O Ministério Público de Minas Gerais já havia se manifestado a respeito do caso. Segundo o promotor José Antônio Baeta, após analisar as declarações, Kalil corre o risco de até mesmo perder o mandato como presidente do Atlético-MG.

"Ele poderá responder em duas searas. Uma, na seara criminal, tanto por incentivo à violência, que agora é uma figura típica do Estatuto do Torcedor, como também por apologia a crime. E ainda poderá, na esfera cível, responder a uma ação civil pública, que pode, em seu final, desconstituí-lo do cargo, ou seja, ele pode perder o cargo de presidente do Atlético-MG na medida em que se verificar que declarações como essas estão incentivando a violência nos estádios", explicou Baeta.

Nessa terça-feira, ao ser questionado sobre a repercussão da entrevista, Kalil definiu como "cretinice" o tratamento que estão dando ao fato.

"Falei o que penso, se vocês quiserem que eu mude para agradar e ficar politicamente correto, eu mudo. Acho que se pegar jogador de madrugada, com a gente na zona de rebaixamento, deve pagar uma dose de uísque para ele e arrumar uma mulherzinha. Isso tudo é uma cretinice e está todo mundo fazendo onda com uma bobagem absoluta", acusou Kalil.