Jovem e sem medalhões, Brasil estreia no Pan-Pacífico com geração promissora

(Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA)


A seleção brasileira de natação que vai à luta por medalhas no Campeonato Pan-Pacífico de Tóquio, a partir desta quarta-feira, é diferente daquela que o público se acostumou a ver nos últimos anos. Pela primeira vez desde 2005, a equipe não tem em suas fileiras Cesar Cielo nem Bruno Fratus em um evento de primeira grandeza. Também não conta com as duas nadadoras mais icônicas de sua história, Etiene Medeiros e a recém-aposentada Joanna Maranhão. A palavra da vez é renovação.

A maior prova disso está nos números. Os 16 atletas que compõem a delegação verde e amarela na capital japonesa têm uma média de idade de 22,7 anos, uma das mais baixas da competição, que reúne também potências como Estados Unidos, Austrália, Canadá e Japão. A média caiu ainda mais depois que, há duas semanas, Fratus (29) foi cortado lesão e deu lugar a Iago Moussalem (19).

Os 22,7 anos do time nacional, idêntica à da seleção norte-americana que estará no campeonato no Japão, representam uma revolução em relação às representações enviadas a grandes torneios recentes. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, a delegação tinha 25,6 anos. No Mundial de Budapeste, no ano passado, a média de 27 anos era a maior entre todas as equipes presentes - com Cielo, Fratus, Etiene, Joanna e Nicholas Santos, o Brasil saiu do torneio com seis medalhas na piscina e duas na maratona aquática.

No Japão, o mais experiente é o peitista João Gomes Júnior, de 32 anos, que na Olimpíada do Rio foi quem obteve o melhor resultado individual da natação brasileira, com um quinto lugar nos 100m peito. Agora, ele lidera o time que se apresenta em Tóquio, que, embora rejuvenescido, conta com inúmeras chances de medalha.

Gabriel Santos, 22, e Marcelo Chierighini, 27, são remanescentes do revezamento 4x100m livre brasileiro que levou a prata no Mundial de Budapeste com recorde sul-americano. O primeiro tem o quarto melhor melhor tempo do mundo nos 100m livre na temporada (47s98) e venceu seis vezes consecutivas a prova em campeonatos nacionais. Já Chierighini foi finalista olímpico nos Jogos do Rio e nos últimos três Campeonatos Mundiais na distância.

- Dá para acreditar nessa geração. São muitos nomes fortes de 20, 21 e 22 anos que têm surgido e que em Tóquio estarão maduros. É uma idade boa. A cara da seleção deu uma mudada, e o clima também. Eu tive a oportunidade de estar no Rio e era um clima diferente do de hoje. Hoje é mais leve e esse é o caminho para termos sucesso daqui a dois anos em Tóquio [na Olimpíada]. A gente tem tudo para fazer um dos melhores Pan-Pacíficos do Brasil - disse Gabriel, que na Rio 2016 disputou o revezamento 4x100m livre e terminou em quinto lugar.

Ele e Chierighini estarão na prova em equipe ao lado de Marco Antônio Júnior (20) e Pedro Spajari (21). Spajari, por sinal, é o terceiro melhor do mundo nos 100m livre neste ano, com a marca de 47s95 obtida no Troféu Brasil, em abril. E também está entre os dez mais velozes nos 50m livre.

O ponto positivo a se considerar é que o surgimento de talentos não está restrito às provas de velocidade. Na seleção do Pan-Pacífico, há bons nomes nas provas de estilo (Vinícius Lanza, 21, dos 100m borboleta) e nas de meio-fundo (Fernando Scheffer, 20, é recordista sul-americano dos 200m e 400m livre) e fundo (Guilherme Costa, 19, é recordista continental dos 800m e 1.500m livre).

Costa e Scheffer são os destaques brasileiros do primeiro dia do campeonato na capital japonesa. O primeiro disputa os 1.500m livre, prova em que se tornou o primeiro sul-americano a nadar abaixo de 15 minutos. Já o gaúcho Scheffer tenta se inserir definitivamente na elite dos 200m livre - ele já chegou a ficar com um dos dez melhores tempos do mundo nesta temporada. As eliminatórias ocorrem às 22h (de Brasília) desta quarta-feira. As finais serão disputadas às 5h30 da quinta-feira.

- O principal no Pan-Pacífico é o amadurecimento das novas promesas. O fato de elas participarem de um evento desse porte, e com adversários tão fortes, é importante. E conseguimos ampliar o nosso leque de opções. Hoje, o Brasil não fica focado em só uma, duas ou três provas. Se isso vai reverter em medalhas, é outra coisa. Mas a ideia é tornar esse grupo ainda mais maduro - afirmou o técnico Alberto Pinto da Silva, responsável pela seleção masculina.

Na maré de boas promessas brasileiras, há um alerta ligado: para a natação feminina. Apenas duas nadadoras conseguiram classificação para o Pan-Pacífico. As velocistas Lorrane Ferreira e Larissa Martins Oliveira obtiveram vaga nos 50m livre, mas não estão nem entre as 25 melhores da temporada na distância. Trabalhar com uma ampliação de possibilidades entre as mulheres é uma das prioridades da CBDA (Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos) para Tóquio, mas não em 2018. Mas, sim, em 2020, quando a Olimpíada servirá de termômetro de todo o trabalho de renovação da natação nacional.

Veja a programação do Pan-Pacífico de Tóquio

Eliminatórias às 22h e finais às 5h30 (de Brasília)

Quarta/Quinta-feira
800m livre (feminino), 1.500m livre (masculino), 100m peito (f/m), 200m livre (f/m), 400m medley (f/m), 4x100m medley misto

Quinta/Sexta-feira
100m livre (f/m), 200m borboleta (f/m), 100m costas (f/m), 4x200m livre (f/m)

Sexta-feira/Sábado
400m livre (f/m), 100m borboleta (f/m), 200m medley (f/m), 4x100m livre (f/m)

Sábado/Domingo
1.500m livre (f), 800m livre (m), 200m costas (f/m), 50m livre (m/f), 200m peito (f/m), 4x100m medley (f/m)

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