São Paulo visa trégua e cita só fazer oferta por Ganso após clássico

Clube propõe trégua temporária ao rival nas negociações como para não gerar um mal-estar antes de jogo. Foto: Ricardo Saibun/Santos FC/Divulgação

Clube propõe trégua temporária ao rival nas negociações como para não gerar um mal-estar antes de jogo

O São Paulo deve congelar nova investida por Paulo Henrique Ganso até o encontro com o Santos no clássico deste domingo, na Vila Belmiro, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. O clube propõe trégua temporária ao rival nas negociações como "medida sensata" para não gerar um mal-estar antes de jogo considerado crucial para as equipes na competição. Ganso já é ausência quase confirmada no confronto.

"É a medida mais sensata que podemos tomar, mais cabível. Isso serviria para evitar um acirramento de ânimos para o clássico", afirmou Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, vice-presidente são-paulino.

O camisa 10 santista se recupera de lesão na coxa esquerda e segue sem prazo de retorno divulgado. Até terça, sequer havia voltado a treinar no gramado. Muricy Ramalho já manifestou que o meia ainda "deve ficar um bom tempo parado".

O São Paulo teve negada na última quinta a proposta de cerca de R$ 13 milhões pelos 45% dos direitos econômicos do jogador pertencentes ao Santos. O clube cogitou denunciar o rival à Fifa, mas viu a ameaça cessada por intervenção de Adalberto Baptista, dirigente são-paulino responsável pela negociação.

Ganso, por sua vez, não gostou da nova oferta de renovação do Santos e passou a ver a saída como bom caminho, motivado pela recente condução do caso, com o ápice no episódio dos protestos direcionados após a partida contra o Bahia, na última quarta. A provável negativa animou o São Paulo.

O clube tricolor também garantiu não temer possível concorrência relacionada ao interesse do Grêmio no jogador e aposta em quem "faça prevalecer os interesses do investidor e do atleta". O São Paulo teve negada duas propostas e trabalha com a hipótese de pagar os R$ 23,8 milhões referentes aos 45% do Santos na multa contratual do jogador.

De camisa 10 ideal a meia contestado
Ganso, revelado nas categorias de base do Santos, começou no clube em 2008, junto a Neymar, a maior estrela do time na atualidade. Desde que chegou ao time profissional, a carreira de Ganso se revezou em sobes e desces. Nos primeiros anos, o jogador conquistou críticos e torcedores não apenas por ser uma das maiores promessas do futebol do Brasil, mas por ter surgido como protótipo do camisa 10 criativo e pensador, em falta nos últimos anos.

A trajetória de Ganso - que parecia traçar uma ascensão meteórica rumo ao estrelato nos principais gramados do mundo - teve, porém, um baque grande em 2010. No meio daquela temporada, o jogador sofreu grave lesão no ligamento cruzado de seu joelho.

A lesão deixou Ganso fora dos gramados por seis meses e comprometeu a sequência da carreira no Santos do jogador, que não conseguiu manter o nível de seu futebol e perdeu prestígio com a torcida.

A volta ao clube veio durante a Copa Libertadores de 2011, mas nem a conquista do título continental fez com que o meia retornasse a seus melhores dias no Santos. À sombra de Neymar, que se consolidava como grande ídolo e craque do Brasil, Ganso perdeu espaço na mídia e também na Seleção Brasileira. De camisa 10 incontestável, o jogador passou a opção para o meio-campo.

No time olímpico de Mano Menezes, que ficou com a prata na Olimpíada de Londres, o meia Oscar, do Internacional, vestiu a camisa 10 da equipe, a qual, há poucos anos, era reservada para o jogador santista.

Logo após a Olimpíada, intensificaram-se os boatos sobre uma possível saída do Santos. E o destino mais provável para Ganso se tornou o São Paulo, que quis buscar na Vila Belmiro um substituto à altura para Lucas, negociado com o Paris Saint-Germain, e fez duas propostas (ambas recusadas pelo rival). O meia tem contrato com a equipe praiana até fevereiro de 2015.

Terra