Em último Mundial, Giba "brilha" do banco e já acha substitutos

Giba dá risada na comemoração da Seleção em ônibus. Foto: Celso Paiva/Terra

Giba liderou a Seleção do banco de reservas

Eleito melhor jogador do Mundial de 2006, o ponteiro Giba foi apenas coadjuvante em quadra na conquista do tricampeonato da Seleção Brasileira em solo italiano. Porém, fora dela, o capitão deu o seu brilho. Funcionando como um auxiliar de Bernardinho, ele se mostrou ativo em todos os momentos em que era chamado para um conselho ao treinador ou a algum jogador que estivesse jogando na equipe verde e amarela. Depois da final, a sua ajuda foi coroada com elogios efusivos do levantador Bruninho.

"Poucos podem saber da importância dele. Ele pouco entrou, pouco fez no campeonato, mas acho que é o cara mais importante deste grupo. É a alma desse time. Hoje (domingo), antes do jogo, ele falou que era a despedida dele em Mundiais. O cara dá tudo que pode nos treinos, então é um exemplo para todos. São pessoas que nasceram para vencer, predestinados e o Giba é uma delas", afirmou o camisa número 1.

"Eu acredito que a minha importância aqui é igual a do Rodrigão ou de qualquer um. Mesmo do Alan e do João (Paulo Tavares) que tiveram fora dos 12 na fase final. A gente sempre ganhou desse jeito, nunca vai ganhar diferente. Cada um tem a sua importância tem o seu momento dentro da equipe, indiferente se é um jovem ou mais velho. Pela minha experiência é lógico que eu consigo ajudar mais em certos momentos, mas todo mundo é importante e a gente continua ganhando. A gente joga como uma equipe e uma família", disse o capitão, respondendo aos elogios de Bruninho.

O fato de Giba pouco atuar dentro da quadra não é muito bem compreendido pelos italianos, que questionaram após a vitória sobre a Cuba, por qual motivo o jogador aceita jogar pouco depois de tantas conquistas ao longo da carreira.

"Eu estou aqui porque quero estar aqui, eu sempre joguei por paixão. Óbvio que o vôlei é profissional, não vou dizer que não penso em dinheiro. Mas estou aqui para ajudar, contribuir como posso ao time. No Brasil eu sei que tem vários jogadores diferentes que podem contribuir com a Seleção, mas eu quero estar aqui para ajudar no desenvolvimento do time. Nos últimos dois jogos, eu estava lá fisicamente em quadra. Nós temos grandes jogadores que podem honrar a bandeira do Brasil".

O jogador confirmou antes da primeira pergunta a ele que está mesmo fazendo sua despedida de Mundiais, depois de ganhar três dos quatro que disputou. "É uma grande glória para mim, visto que é meu ultimo mundial. Esta comemoração sempre vai ser lembrada no meu coração. A nossa equipe é jovem. Temos que pensar já na próxima Liga Mundial e até nos Jogos Olímpicos de 2012".

A poucos anos de encerrar então sua passagem pela equipe verde e amarela, Giba já aponta os seus possíveis substitutos em termos de liderança dentro do grupo comandado por Bernardinho. "O Murilo está sendo o capitão em campo. O Rodrigão també por mais que a gente veja ele quieto, ele é um cara que tem uma liderança muito grande dentro do grupo, é aquele cara que quando fala as coisas, fala muito bem pensado. Esses dois jogadores são os que mais tem a possibilidade", disse, ressaltando que a sua função de capitão não daria certo se o grupo não ajudasse.

"O capitão é só uma figura, mas não funciona se não tiver um grupo que possa se deixar ser liderado, que tem humildade de falar e escutar, acho que isso é o mais importante. É o que a gente tem aqui. A liberdade de todo mundo. Sempre vai ter a liderança nata de três ou quatro jogadores, qualquer equipe que seja, mas eu acho que isso (forma do grupo pensar) vem da consciência que a gente colocou no grupo desde 2001".